quarta-feira, 29 de abril de 2009

poema Só seus - Augusto de Abreu

SÓ SEUS

A lua
que já foi minha amante
não fala mais comigo,
está enciumada
pois não tenho mais olhos para ela.

Meus olhos,
minha boca,
meus abraços
são só seus.

A flor
que já foi minha amada
não mais exala seus perfumes para mim,
está raivosa
pois não encontro tempo para ela.

Meus momentos,
meus instantes
são só seus.

A chuva
que já foi minha concubina
já não chora comigo nem por mim,
está entristecida.


Meu choro,
meu lamento,
minha tristeza
são por você, minha amada,
que não quer
meus olhos,
minha boca,
meus abraços.

Um comentário:

TÂNIA MARA CAMARGO disse...

Augusto, aqui apreciando sua poesia de sutil
lirismo. Docilidade em versos! Beijos!